O sábado amanheceu com um clima gostoso e um ventinho raro para essa época do ano… O dia parecia se adequar ao que viria acontecer mais pro final da noite. Uma linda noite!

O show desta noite encerrava uma longa e produtiva jornada de uma das melhores bandas que temos – a arte permanece intacta para sempre; e nos apresentava a uma novíssima banda, que demonstrou ter um futuro muito promissor.

E assim como a vida, a noite deste dia 20 de julho de 2019 marcou o fim de uma era e o início de outro ciclo.

É impossível para quem já tenha visto um show da Wuk ficar indiferente. É algo que marca. Fica gravado, bem forte. Nos deixa com uma sensação de inquietude, como se de repente surgisse algo a ser preenchido, que sequer sabíamos da existência.

Neste mesmo dia estava tendo vários shows pela cidade, festival no litoral com diversas bandas e etc… Mas quem estava no Alquimia neste dia foi selecionado para fazer parte de uma das mais belas passagem de nossa história musical. Era evidente o misto de alegria e melancolia em cada olhar ali presente.

E novamente o ciclo da vida aqui se encontra: o regozijo de alguns ao reencontrar velhos amigos que não viam há tempos ou que não residem mais em Teresina, contrastava com a saudade já adiantada pelas partidas iminentes de pessoas queridas que seguirão um novo rumo em suas vidas, apenas com passagem de ida…

É cedo ainda pra ficar emotivo. Vamos aos shows!

Monte Imerso é daquelas bandas que nos hipnotizam no primeiro acorde. Parece que é algo no DNA desse povo – os irmãos Davi e Pedro – tirar timbres lindos de forma simples e eficiente. Quem vê o Davi tocando sua guitarra tem a sensação de que pode sair dali e também tocar, mesmo nunca tendo pego num instrumento, tamanha é a simplicidade com que faz sua música soar bem.

Formada por Davi Abel (guitarra, voz), Jean Sousa (bateria), Rafael Marques (guitarra, baixo), Zacarias Seriano (baixo, voz, guitarra) a Monte Imerso foi formada este ano e já traz um repertório de lindas e cativantes canções.

A banda possui apenas um single lançado nas plataformas de streamings, “Ilusões”. Precisa/deve gravar logo um disco completo!

*Rubens Lerneh

Destaque no show para a bateria nervosa e super criativa do Jean Sousa. Aguardemos as próximas apresentações e os lançamentos!

Wake Up, Killer e o fechamento de um ciclo…

Quando o Alan deu boa noite e desejou um bom show para todos, um misto de sentimentos invadiu boa parte da plateia, creio que até pessoas que não puderam ir, mas que estavam em espírito conectadas com o que acontecia ali no Alquimia, também foram atingidas por tais sentimentos.

Nascida em 2008 e contando na sua atual formação com Alan Douglas (bateria), Caio Bruno (baixo), Guilherme Cerqueira (guitarra) e Norberto Wildson (guitarra), a Wuk lançou apenas um disco e vários singles.

Parece que a banda queria amadurecer aos poucos, até perceber que seu som estava em perfeito estado para consumo, para deleite, que pudesse fugir da experiência simples de audição e se tornar uma experiência multissensorial. E conseguiram!

O disco homônimo lançado em 2017 é o supra sumo do post-rock! E olhe que são apenas 5 músicas. Mas são mais que suficientes para transformá-lo num clássico da música instrumental no mundo.

Quando Caio dá os primeiros acordes de “Satan’s Bike II”, a ficha cai. O fim começou… Daí o que se seguem são apenas experiências multicoloridas e intimistas regadas a linhas minimalistas de ambiência inconfundível.

E assim vamos hipnotizados durante todo o set.

E de repente, como num piscar de olhos, começam os acordes da última música: “10 de Janeiro”, e a plateia começa a gritar e aplaudir esse hino da luta contra a opressão e resistência. O fim está próximo…

São quase 2h da manhã quando Alan solta um “Até…” bem prolongado. Prolongado como gostaríamos que fosse essa noite e a vida produtiva dessa banda incrível. Mas o “até” prolongado nos enche de esperanças, ainda que não saibamos dizer em que. Esperança, apenas.

Esta noite só tivemos vencedores. Obrigado, Wuk!