Mais um festival organizado pela Althernativa Produções Artísticas. E como sempre, apresentando uma excelente estrutura para que as bandas mostrem seus trabalhos. Som e luz impecáveis.

A Aloha Haole, após um período longe dos palcos, voltou com tudo! Apresentando o que sabe fazer de melhor, e com a mesma pegada de antes. Tocaram o disco de 2014 – “If You Wanna Dance” – na íntegra! A cara de felicidade estampada no Flávio, Guilherme e Jairo não deixam dúvidas do quanto está sendo divertido voltar aos palcos. O festival não poderia ter começado melhor.

A Garoto Androide dá sequência ao evento e mantém a pegada lá em cima com seu grunge/hardcore/punk, letras ácidas e bem entrosada. O trio manda super bem, com destaque para as porradas do batera que parece querer destruir a bateria antes do final do show. Algo que precisa ser repensado pela banda é o muito falar, principalmente em eventos com muitas bandas e pouco tempo de apresentação. Mas isso eles já sabem, pois o próprio vocalista brincou dizendo que enrolam muito durante o show… Tocaram umas músicas novas muito boas. Vamos aguardar para conferi-las em futuras gravações.

O último trio da noite, Elétron. Lançando o EP “Onde Estão Vocês”, a banda mostra um pouco dos seus 15 anos de estrada. Muito tempo para pouca produção musical, é verdade, mas não se pode ignorar a persistência em uma banda que se mantém na ativa durante tanto tempo. Além de outras músicas, tocaram na íntegra o EP, que conta com 4 músicas. A Elétron parece apostar num rock que já ficou para trás, lá nos anos 80, no início do movimento punk rock de Brasília. As referências não são apenas musicais, mas passam pelo próprio nome da banda, nome de músicas, trechos de letras e até o nome do vocalista, “Russo”. Dois garotos na arquibancada ficaram pedindo: “Toca geração coca-cola…”.

A Cine Hollywood ficou meio prejudicada pela ordem de apresentação. Ficou antes das bandas mais porradas da noite, e isso deu uma esfriada legal no festival. A banda aposta no rock dos anos 60 e 70, com pitadas de rockabilly e brega. A banda é coesa e faz muito bem o que se propõe a fazer, uma pena não ter tido o público certo naquele momento. Músicas como “Alma de Borracha” podem ser executadas em qualquer lugar, que agradam aos ouvidos mais atentos.

O melhor show da noite, Campo Minado 118! Hora do HC no festival e a bagaceira foi geralizada, com direito a mosh e stage dive. Não há como expressar com palavras o caos que se instalou no palco do Clube dos Diários durante o show da Campo Minado 118. Teve até música executada sem o vocal, enquanto o vocalista estava sentado no palco chateado porque a banda não o deixou terminar seu discurso, que em geral a gente só entendia o “porra” no final ou outro xingamento. Show para todo mundo ficar suado, cansado, dolorido e dormir feliz.

A Falange encerrou a noite com o seu metal agressivo com pitadas de progressivo. A banda havia dado uma parada em 2013 e voltou no final de 2018. E voltou querendo recuperar o tempo que ficou parada. A banda tem uma excelente dupla de guitarristas, que faz um trabalho muito bom. O baixo, apesar dos problemas técnicos, que o levou a usar um baixo emprestado, manda bem demais. Marcão destrói tudo na bateria alternando entre peso, precisão e contra-tempos. O drive na voz do Aquino encaixa como uma luva no som da banda, menos quando tenta ser simpático com a plateia e faz umas piadas toscas. Excelente show!

Uma das bandas escaladas para o festival não pôde participar, e isso até terminou ajudando, pois eventos com muitas bandas termina sendo cansativo. As bandas que tocam por último ficam com um público pequeno e já cansado.

Parabéns a Althernativa por mais um festival que dá destaque a quem faz sua música e quer mostrar seu trabalho. Também pela evolução ao não abrir inscrições para um evento, que invariavelmente já conta com bandas previamente selecionadas. Assim as coisas parecem mais claras, como devem ser.

*Rubens Lerneh