Em várias das questões debatidas no universo de produção e difusão dos artistas musicais piauienses, uma palavra sempre vem à tona quando se refere a quem faz suas próprias músicas: autoral.

Embora saibamos que o dicionário traga apenas um sentido para a palavra, o que vemos é que em Teresina autoral é sinônimo de que a banda não vai tocar aqueles clássicos que os roqueiros de ocasião gostam de entoar a plenos pulmões em diversas casas da cidade. E só.

É notória a boa intenção dos nossos artistas que por tempos empunharam e ainda empunham a bandeira do autoral. Mas junto a isso carregamos toda a carga de preconceitos advinda de parte do público que só quer ir beber cerveja e gritar: “Oh, oh! Sweet child o’ mine. Oh, oh, oh, oh! Sweet love of mine“.

Temos ótimos trabalhos lançados quase que semanalmente por aqui. As bandas cuidam meticulosamente de sua produção artística, lançam canções que facilmente seriam hits se executadas por artistas dentro do Mainstream, mas que acabam se perdendo dentre as milhões de músicas das plataformas de streaming.

Um belo dia acordamos em Teresina e substantivamos a palavra autoral. Acho que é hora de, gramaticalmente, devolvê-la a seu status original de adjetivo. Talvez assim consigamos sair da penumbra e ter o reconhecimento que muita coisa boa daqui merece ter. Inclusive já temos bandas aqui que tem belíssimos trabalhos autorais e não se denominam como tal. Suas marcas já transcendem e ninguém mais ousa chamar de autoral.

Validuaté, Bia e os Becks, Obtus e Megahertz são apenas alguns exemplos de bandas que não precisam do termo autoral acompanhando-os. E não, não é porque alguma tenha emplacado algum hit etc. É porque além da qualidade de seus trabalhos, eles sabem que estamos todos no mesmo balaio.

* Jairo Mouzzez