Quando recebi o Petricor da Brisa do chefe para resenhar pro Noise Land, entendi isso como desafio. Afinal, alguém que escuta 379 palavrões por minuto com riffs de guitarra super ligeiros, ouvir algo totalmente fora da minha zona de conforto e escrever sobre, seria um desafio.

Aperto o player pras audições, me deparo com a primeira faixa do disco. “Bamba” é o cartão de visitas que mostra as multifaces da cantora. Além de ter uma musicalidade muito bem produzida, com o uso perfeito dos sintetizadores, a letra da música, que fala sobre aquele amor que não tem jeito, faz com que a musicalidade de Brisa apareça com muita personalidade. O belo timbre de sua voz unido ao despretensioso jeito de cantar samba coloca Brisa ao lado das aclamadas musas da MPB.

Com o passar do disco, Brisa mostra o cuidado que teve na produção das suas músicas, que passeiam por vários ritmos. Desde “Leve, que tem uma pegada Indie com sintetizadores que lembram Daft Punk em Tron, como no samba-canção em que divide os vocais com Hugo dos Santos (Tupi Machine) ou mesmo em “Eu avisei” em que o dueto blues com Daniel Felipe agrada realmente aos ouvidos.

As letras do disco, a mim, remetem a um conceito de fim de relacionamento. A belíssima “Guarda Chuvas”, pode fazer escorrer lágrimas de olhos mais sensíveis (sim, talvez tenha eu chorado também).

Pra quem já não consegue se surpreender com a nova MPB, ouvir esse disco é uma ótima pedida em sua quarentena. Sem dúvidas, um dos mais belos discos lançados no cancioneiro Piauiense, não só em 2019, como em toda a história. Na minha estante ganhou lugar de destaque e está na primeira prateleira.

Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

*Jairo Mouzzez