Em novembro de 2019, todos nós que já estávamos de olho no surgimento de uma nova espécime híbrida no cenário do rock alternativo fomos surpreendidos com o New Hell, terceiro registro da banda americana Greet Death, de Michigan. Um álbum que era exatamente o que muitos conhecidos procuravam há tempos: canções agradáveis, melodicamente falando, com aquela distorção extravagante à la Cloakroom.

O que mais marcou a experiência da primeira ouvida foi o gostinho das influências do post-rock e principalmente do shoegaze, de quem o primeiro é uma espécie de filho abastado, pelos vários flertes de algumas faixas do álbum com o progressivo. No entanto, o Greet Death não se limitou a gravar um album típico de post-rock. O New Hell é mais um forte sinal que a miscigenação do hardcore com o lado pop do shoegaze continua a todo o vapor, prometendo muito mais surpresas nos anos que vem.

O blog Hard Noise, em julho do ano passado, lançou uma postagem com o título “A brief history of hardcore kids making shoegaze”, que trata do assunto de forma bem analítica, sugerindo uma lista de bandas e tudo mais. Segundo o autor,

“Não foi até a década de 2010 que o hardcore e o shoegaze realmente se tornaram irmãos. Houve alguns episódios estranhos nos anos 90, é claro, como o Swirlies […] e o efêmero Kill Holiday […]. Mas a constante mistura e combinação de gêneros na última década [2010] permitiu ao shoegaze e ao hardcore formar um vínculo improvável e complementar.

É somente após esse período que você pode encontrar sujeitos vestindo camisetas do Forced Order com bonés do Pity Sex – o tipo dicotômico de cara que se recusa a entrar na roda-punk no show de abertura e depois cai na porrada durante o show da banda de um amigo, mas também tenta flertar entre as bandas falando sobre como o “Isn’t Anything” é muito superior ao “Loveless” [ambos álbuns do My Bloody Valentine]. Cuidado: um deles pode até arrastar você para as águas profundas e perguntar sobre o movimento do Blackgaze. Há uma nova e estranha raça perigosa por aí, e você precisa de um guia para estar preparado para seu inevitável confronto”.

Ele encerra dizendo que essa conjunção é coisa mesmo dos anos 10 e, por ser algo novo e que merece uma mineração, cá estamos nós.

Sem muita enrolação, segue a nossa playlist com 30 (isso mesmo, TRINTA!) bandas que brincam bastante com o shoegaze, hardcore, dream pop, emo e post-rock, tudo junto e misturado, para quem não tem preconceito e reconhece que, no final das contas, tudo que aparece de novo nada mais é do que um remix.

Divirta-se.

*Yuri Cavalcante

#O Minerando é uma parceria com o Teresina Cidade Invertida, para conhecer melhor o trabalho deles acesse @theinvertida no Instagram e Twitter.

**Playlist no Deezer:

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