Com sua sonoridade crua, direta e sem rodeios, Dan Havok (voz), Alex Barbosa (guitarra), Rodrigo Rodrigues (baixo) e Reyel (bateria) trouxeram no primeiro álbum da Banheiro de Rodoviária, já bem conhecida no meio Underground, um mix com elementos clássicos do Punk Rock e algumas pitadas de Grind, sintetizando bem as apresentações que exibem nos palcos.

O álbum, com 12 faixas, trouxe em suas letras um estilo que denomino como “Crítica Social Escatológica”, que mistura a acidez necessária pra retratar a nossa realidade social com o humor escatológico, fórmula consagrada pelo DFC, que a banda consegue fazer com competência. Exemplo disso presente na faixa de Abertura, “Fezes” e na ótima “No Metrô”.

Alternando com a Crítica Social Escatológica, temos as diretas “Realidade da Favela”, que mostra como nosso país continua fazendo a seleção natural econômica, morrendo muitas vezes sob a mão do Estado, “As Ruas Sangram” que mostra as mazelas da fome que ainda assola um país tão rico em recursos naturais e “Cansei de Esperar” que faz uma crítica aos militantes de internet, que pouco fazem pra alterar a realidade ao redor.

As satíricas “Patinho Amarelo”, que bate de frente com aqueles que aplaudem um Pato de Borracha na Avenida Paulista e “Blues Estragado” que traz aquele riff clássico de blues sendo “estragado” pela porrada Grind.

Também destaco “Triste Lenda”, onde na sua pegada, Banheiro de Rodoviária retrata o mito fundador da cidade de Teresina e a triste história da Mãe de Crispim.

A gravação do disco trouxe um elemento pouco presente nas apresentações da Banheiro de Rodoviária, mas que ganhou destaque nas gravações. O som de baixo divide o protagonismo com as guitarras, trazendo uma sonoridade ainda mais pesada, ladeada por uma bateria muito bem executada e furiosa.

Quem conhece a Banheiro de Rodoviária dos palcos também perceberá que a entrega do Dan Havoc nas gravações de estúdio foi fiel ao seu desempenho nos palcos.

Em resumo, aos amantes do estilo e conhecedores da Banheiro de Rodoviária, o disco nada deve as apresentações ao vivo e inaugura com muita competência a nova fase da banda.

Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️

*Jairo Mouzzez