A Cine Hollywood chega ao seu segundo disco levando o velho “Do it yourself” a outro patamar.

Formada em 2016 e com uma intensa produção de shows e registros, a banda vem se destacando na cena autoral de Teresina. Lançou seu primeiro disco, o Vinte e Quatro Horas, no final de 2017, e chega em 2020 com o belíssimo Pra Não Dar Azar.

Nos primeiros acordes do disco já ficam evidentes as influências da banda, que vão desde Beatles, David Bowie e Elvis Presley, passando por Mutantes, Erasmos Carlos e Reginaldo Rossi, e sempre bebendo na fonte de clássicos da música “brega”.

A banda queria deixar o seu segundo disco com a marca “Cine Hollywood”, deixar o DNA totalmente exposto. Pagou pra ver. Não teve medo. Ganhou a aposta.

Neto Villa-Rica, Carlos Félix e Rogeres Marcolino arregaçaram as mangas e fizeram tudo sozinhos: gravaram, mixaram e masterizaram. Se você tiver um ouvido mais técnico pode até perceber uma coisinha aqui, outra acolá, mas a banda conseguiu com maestria captar a essência do seu som, e era essa a intenção.

A banda alugou um estúdio de ensaio, levou equipamentos, instrumentos etc. e gravou tudo entre dezembro/2019 e janeiro/2020. Depois foi pegar esse material e partir pra mixagem, que ficou a cargo do Rogeres e Neto.

Recomendo fortemente trocar uma ideia com essa rapaziada pra ver como é possível fazer as coisas quando a gente realmente quer que aconteça.

O disco tem ótimos timbres, muito bem equilibrado e tudo bem definido. Excelente trabalho de guitarras, permeando sempre com fraseados as músicas, tudo no ponto, sem excessos.

Eu ainda não acredito como a bateria do Rogeres foi gravada, mas ela tá ai, bem lindona pra me mostrar que essa aventura foi real.

Destaque pras ótimas letras, como nestes versos de Algo pra Beber e Pedra na Lua: “Quando tudo é solidão, nada faz sentido. Já não me reconheço mais. Fiz do bar uma prisão e do copo meu amigo, tentando não pensar demais”; “Não faz mistério, não faz segredo e não me faz sangrar. Eu já conheço esse teu olhar, que me deixa insano”.

Não Consigo Entender entraria fácil na discografia de qualquer grande ídolo do brega – e se você ainda acha que brega não é rock, dá uma sacada nesse texto do #minerando: https://noiselandblog.wordpress.com/2020/05/12/minerando-5-pode-ate-ser-brega-mas-e-rock/

Pra não enlouquecer, só mesmo indo na contra-mão…

*Rubens Lerneh