Érico Fryer é multi-instrumentista e um dos mais promissores artistas plásticos piauienses. Recentemente lançou seu aguardado álbum de estreia, o inquietante e belo The Moth – Before the Darkness.

O álbum possui sete faixas e tem pouco mais de 30minutos, tempo suficiente para perceber a influência pós-punk, com pitadas de industrial, com os dois pés no gótico, tudo bem dosado, sem exageros, com influências evidentes de Nick Cave, Iggy Pop e David Bowie.

Fryer juntou um timaço – Flávio Lopes na batera; Izídio Cunha no baixo e Jean Medeiros na guitarra – e foi gravar no estúdio ForestLAB, em Petrópolis – RJ.

Apesar de toda estética dark, Fryer parece buscar uma luz em meio aos absurdos que vivemos atualmente, pois segundo o mesmo: “É um álbum conceitual, curto e esquisito. É anti bolsonazi e é um reflexo do nosso mundo e do Brasil”.

O desconforto nos atinge de cara com a capa, de autoria do artista, com uma face sem rosto em meio a uma fumaça sufocante. Queremos sair dali de qualquer forma, do contrário, vamos sufocar.

Em “Na Sacada” isso fica bem claro: “nesse covil só tem vez pra cretino”, grita um indignado Fryer. Destaque pra cozinha do baixo e bateria, que fazem a cama perfeita pras nuances de guitarras e vozes. Já em “St. Joseph” temos um dissonante piano na música inteira, nos fazendo ficar incomodados sem saber ao certo com o que: “December comes, there’s no snow to clean. My land is dry, not an American dream”. Não é um sonho americano. Essa inquietude permeia todo o disco.

O Disco foi lançado pelo selo potiguar Nightbird Records e já está disponível em todas as plataformas de streaming.

*Rubens Lerneh