O Sarau Duna é poesia. É música. É teatro. É arte na sua definição mais ampla. Duna nos faz aguçar todos os sentidos, e uma experiência só é completa com a apresentação da dupla Fernanda Paz e Pedro Ben ao vivo, bem ali na nossa frente.

Sarau Duna é muito mais do que ouvir, ou saborear belas palavras em um contexto subjetivo, ou se regozijar com coreografias espontâneas – ou não. 

Os sons etéreos que o Pedro Ben produz encaixam como dois apaixonados em seu mundo único com as palavras e coreografias de Fernanda Paz, e nada mais importa.

O Sarau se expandiu e virou single nos streaming, e parece que isso é só o começo. Quem sabe o meio – e até mesmo o fim. Nada disso importa, o importante é sentir. E certamente você não sairá imune.

A parte poética do Sarau Duna fica a cargo de Fernanda Paz, escritora piauiense. Depois do seu “Olhos de Vidro” (Quimera, 2018) e tantas outras coletâneas que ela já fez parte, Fernanda nos mostra sua poesia que está presente no seu mais novo livro, Bloco de Notas (Área de criação, 2021). 

Os poemas do livro fizeram parte de um blog que a autora mantinha, e num gesto de eternizá-los fisicamente, resolveu publicá-los. “Bloco de Notas” nasceu para esse projeto. 

No projeto Carnavalhame, que o Sarau Duna participou no início da Pandemia, foram recitados seis poemas do livro Bloco de Notas. Alguns merecem destaque como “O Ponto”:

Existo sem a vontade de habitar o ponto?
Quem criou esse emaranhado de linhas e chegada
Onde nunca chegamos?
(Fernanda Paz).

Em “Todos os dias eu morro”, Fernanda dá voz às nossas angústias cotidianas, às nossas crises existenciais diante desse mundo capitalista, que nos cobra produtividade o tempo todo, e que de certa forma, são responsáveis pelas nossas pequenas mortes diárias:

“Às sete quando o noticiário fala,
eu morro.
Às dez quando ainda há trabalho a ser feito,
eu morro.
Às onze quando enfim me deito
Aqui jaz
E nesse jazz, espero o dia em que serei viva” 
(Fernanda Paz).

E finaliza com ‘Poema Pequeno”, que paradoxalmente é o poema que abre o livro, – e foi o primeiro a sair como single – e que, para mim, reflete nossa complexidade e grandiosidade, nossos transbordamentos enquanto seres humanos em construção e mesmo com toda revisão, edição e melhoramento, podemos afirmar que um poema é pouco para tanto ser, como ela diz:

“Me escrevo
Me leio
Me apago
Me reescrevo
Me despercebo
Me calo
Não caibo poema
(Fernanda Paz).

Fernanda Paz e Pedro Ben, nos proporcionam uma experiência poética-visual de encher os olhos e os ouvidos. A propósito, Bloco de Notas (Área de criação. 2021) será lançado amanhã, às 18h30min, no Maria Café, zona leste da cidade. Fica o convite para conhecer os poemas do “blog” de notas da Fernanda.

*Dani Marques/Rubens Lerneh