Bia e os Becks chegam ao terceiro disco e deixam bem claro que caminho querem seguir.

Após o Conto Amor e o ótimo Margarethe, a banda chega ao seu disco mais instigante. Cheio de referências e que certamente abre de forma definitiva as portas para outras experiências.

A Bia e os Becks surgiram em 2012, e desde então vem conseguindo ótimas repercussões com seus trabalhos, sobretudo nos shows, onde sempre trazem muita energia e um carisma enorme – a Bia domina como poucos esta arte.

Em Conto Amor tínhamos uma banda com uma roupagem mais MPB e poética. Margareth trouxe uma forte tendência pop. Já Universo Quenga veio consolidar as mudanças que a banda vinha demonstrando.

“Paraíso” abre o disco com seu delicioso gingado. E também traz uma mensagem de indignação com a atual situação que o país enfrenta. Uma pena a quebra desse gingado em certa parte. Mas rapidinho ele volta e tudo acaba bem.

“Vai Cair” mantém o clima do disco lá em cima. Conta com a participação de Mateo do Francisco El Hombre e ao vivo deve funcionar demais! A essa altura você já afastou os móveis da sala pra ter mais espaço pra dançar.

“Vou Minbora pra Marte” traz uma levada tecnobrega. “Tá puxado eu sei, amigo, não tá fácil pra ninguém. Mas todo ser humano tem um alguém pra suportar essas feridas construídas por pessoas de bem“. Nesse contexto, quem não quer ir pra Marte?

“Papo de Patuá” é uma parceria com Anderson Foca, um dos organizadores do Festival Dosol. O refrão seria tocado facilmente em qualquer trio elétrico no carnaval de salvador. E certeza que você não consegue ficar parado.

Na sequencia temos “Bicicleta Saliente” e “Universo Quenga”. “Bicicleta saliente” vem na pegada das músicas de duplo sentido, uma música apimentada e perfeita para uma coreografia coletiva nos shows. Já “Universo Quenga” aborda a liberdade sexual feminina, mostrando uma mulher que tem coragem de assumir seus desejos, sem se preocupar com os padrões estabelecidos socialmente para o comportamento feminino. Traz a participação da Keila e é uma delícia.

Jardel acertou demais em “Baila Comigo”. É linda! Destaque pros teclados e uma linha de baixo excelente. A voz grave de Jardel dá todo um charme à essa faixa. De longe, a minha preferida.

Para fechar o disco, “Panela de Pressão”. E quando você menos percebe, está cantando alto e imitando a coreografia do Lucas no clipe oficial da música, que segue abaixo.

Com Universo Quenga, Bia e os Becks mostram que estão preparados para voos bem maiores.

*Rubens Lerneh