No último domingo, 14, a Fórmula 1, graças a ótima cobertura feita pela Band, que soube realmente explorar o produto que tem nas mãos, trouxe à tona uma discussão que já é desvelada por vários aspectos socioculturais no Brasil: a polarização política na corrida presidencial.

De um lado, a torcida por Lewis Hamilton, que é o maior de todos os tempos e que, além disso, é engajado com questões ambientais, afirmativas e, principalmente, na luta contra o racismo, que ele encabeçou com muita força após o episódio que culminou na morte de George Floyd nos EUA. Do outro lado, temos a torcida do holandês Verstappen, que tem um talento inegável, mas não tem posicionamentos públicos (além dos protocolares exigidos pela Liberty Midia, que detém o controle da F1) e que é conhecido também por ser genro do tricampeão mundial Nelson Piquet.

Durante a exibição da corrida era notória a divisão da torcida nas redes sociais, bem como havia encaixe dessa torcida com os dois espectros políticos que disputarão o poder no Brasil no ano que vem: no domingo, a esquerda torceu para Hamilton e a direita torceu pra Verstappen, salvo raras exceções, que confirmam a regra.

O resultado de pista deu vitória maiúscula pra Hamilton, que mesmo tendo perdido 25 posições de largada na Sprint Race de sábado e na corrida de domingo, pulou da décima posição para a vitória. Foi clara e manifesta a preferência de figuras, públicas ou não, de esquerda, que vibraram quando Hamilton repetiu o gesto de Ayrton Senna e subiu ao pódio abraçado à bandeira do Brasil. A história contada pela equipe da TV Band teve seu ápice, com narrador e comentaristas vibrando tanto com o feito épico de Hamilton, como com o primeiro lugar de audiência no horário de exibição da corrida.

Do outro lado, algumas manifestações pró-Verstappen acusando Hamilton de “mimimi” ao reclamar de conduta perigosa durante a disputa de posição.

A Band venceu, como Hamilton, embora quase toda a sua equipe estivesse torcendo pro holandês Verstappen. Mas essa disputa vencida pelo inglês expôs muito mais do que a briga entre os pilotos da Mercedes e da Red Bull Racing pelo título mundial de Fórmula 1 em 2021. Ela mostra o quanto estamos divididos para a disputa eleitoral do ano que vem. Desejo aqui boa sorte a ambos os pilotos. Que vença o melhor e o que jogue limpo. Nesse domingo, em Interlagos, ele estava no alto do pódio.

*Jairo Mouzzez