No último sábado, 18 de dezembro, tivemos o evento de lançamento do livro, Chakal!, que é uma biografia de Chakal Pedreira, escrita por ele mesmo e pelos também historiadores Aristides Oliveira e Heitor Matos, lançada pela editora Cancioneiro.

A biografia teve como grande desafio, traçar a cronologia da construção e da transformação do adolescente Altaíde Pedreira no sujeito Chakal, figura icônica da música piauiense. O desafio foi grande porque, Chakal é, antes de tudo, um céu aberto de memórias. Elas são tão cristalinas e vívidas, que sempre que conversamos sobre os causos do agora, ele sempre traça com enorme clareza um paralelo com algo dos anos 80.

O livro traz consigo um arsenal de informações sobre a juventude underground dos anos 80, trazendo com riqueza de detalhes como se construíam as pontes entre os atores que lançaram as pedras fundamentais do cenário punk em Teresina. Também no livro encontramos inúmeros fanzines produzidos por Chakal na época, bem como os espaços em jornais de grande circulação que davam mais importância ao que se produzia aqui no Piauí.

Boa parte do livro também traz sua trajetória com o Obtus, banda que formou com Assis, Neto e Erivelto, que hoje também conta com Eduardo Crispim, e como é impossível dissociar esses sujeitos do Obtus, fazendo essa banda por pelo menos metade de suas vidas.

Todo grande lançamento de livro, precisa também de um evento a altura para celebrar esse momento. Mesmo com o SALIPI rolando, o evento aconteceu no Bueiro do Rock (e talvez não tivesse sentido algum fazer n’outro lugar). Tivemos Aristides, Heitor e Chakal autografando os livros, e também o Obtus relançando o aclamado Sangue no Olho.

Era uma tarde de confraternização, muitos abraços, cerveja gelada pra quem gosta e show. O Káfila, convidado com justiça pra fazer parte dessa festa, também lançou oficialmente seu EP Necropolitica, tocando na íntegra e contando com as participações que tem no disco em cima do palco. Logo em seguida, tocou clássicos do seu repertório e encerrou o show ao cair da noite.

Em seguida, o Obtus sobe ao palco nessa data de celebrações e, antes de mais nada, toca o Sangue no Olho na íntegra, fazendo com que os cinquentões, os intermediários como eu e a galera de vinte e poucos, se misturasse numa só massa que aprendeu com o próprio Obtus que podemos fazer protesto sim, mas sem abrir mão da diversão.

Por último, e totalmente fora da programação, tivemos uma apresentação da Banheiro de Rodoviária, que teima em querer acabar enquanto a galera os quer juntos em cima do palco. Num show sem ensaio e sem nenhuma expectativa de acontecer, encerraram a noite no Bueiro do Rock com muito punk rock e muito humor, tocando de um jeito que só eles sabem fazer em Teresina.

A leitura de Chakal! é uma ótima pedida pra entender um recorte da juventude teresinense dos anos 80. Ver o Obtus relançando seu clássico Sangue no Olho e ver a galera comprando trouxe um afago. Ver o Kafila lançando o pesado e necessário Necropolitica, nos dá a sensação de que ninguém pode parar. E a tarde desse sábado, 18 de dezembro, nos mostra mais uma vez que o Punk não morreu. E anda bem longe disso.

*Jairo Mouezzez