Não Olhe para Cima, estrelado por Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence e Meryl Streep é uma tragicomédia de Ficção Científica contemporânea que carrega consigo inúmeros elementos dos amantes do gênero apocalipse. Mas isso é apenas um pano de fundo. O filme aborda aspectos que se entranharam na política global, especialmente nos últimos dez anos e ajuda a responder um questionamento do historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior em seu livro “A Invenção do Nordeste e outras artes”: o que faz rir, faz pensar? Sim, e muito.

O filme começa com a descoberta de um cometa pela astrônoma Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence) que, intrigada com a aproximação convoca seu professor Dr. Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) para que possam calcular o tempo e a distância com que o mesmo se aproximará da Terra. Após os cálculos matemáticos, descobrem que o cometa não só se aproximará, como se chocará com a Terra em pouco mais de seis meses.

A sequência do filme, é uma comédia onde temos a presidente dos Estados Unidos, Janie Orlean (Meryl Streep), tomando ciência dos fatos que ameaçam a aventura humana na Terra (oi, Cassiano!) e suas decisões posteriores à notícia, sendo auxiliada pelo seu chefe de gabinete e filho, Jason Orleans (Jonah Hill), que lembra (e muito, mas MUITO mesmo) um personagem real, filho de um outro chefe de Estado da vida real.

O que o filme nos faz pensar, com muita dose de humor e ousadia da direção, é a nossa própria condição humana. O quanto nossas convicções religiosas e ideológicas estão dispostas a enfrentar o conhecimento científico. E também o quanto estamos dispostos a observar os movimentos que podem interferir na nossa vida cotidiana, em detrimento da mídia de fofoca de massa, onde passamos a acompanhar cegamente a vida das celebridades, como se isso tivesse tanta relevância.

Em tempos da Pandemia do COVID-19, ver esse filme é necessário para que possamos refletir como nos mesmos, individualmente, nos deixamos cegar por ideologias que nos afastam da realidade, nos jogando a uma bolha de ignorância, descrença na ciência e apego cego a religião. E não, não estamos aqui a negar (também não estamos a afirmar) a existência de uma figura divina. Mas se você é cristão, deve saber que Jesus, quando esteve recolhido ao Getsêmani, recomendou aos cristãos “Vigiai e Orai”, e não que fizéssemos a terceirização da fé. Orar, pedir proteção aos cristãos, é necessário. Olhar pras descobertas da ciência e entender “o dom” dos cientistas e seguir suas recomendações.

Não Olhe para Cima é um filme que fará nosso leitor rir. E muito. Apesar de ser uma obra hollywoodiana, ela traz inúmeras relações que nos fazem conectar com as coisas ditas em outros cantos do mundo, especialmente aqui no Brasil. É feita com muito humor e desperta em quem vê o senso crítico, que nos faz distinguir quando estamos fazendo nosso próprio juízo dos acontecimentos ou quando estamos sendo levados, em manada, reféns de nossas próprias convicções, tiradas de teorias conspiratórias oriundas do WhatsApp. Ver esse filme, certamente não irá alterar a carga individual de orações dos leitores. Mas talvez nos aguce a vigilância, a seguir as recomendações científicas e provavelmente nos faça chorar de rir.

*Jairo Mouzzez