Conheci Hugo dos Santos à frente da Tupi Machine, que faz uma mistura de sons que eu gosto bastante, flertando com tradições, poesias e o alternativo. Falamos um pouco sobre o “Na Sala de Estar” aqui: https://noiselandblog.com/2020/04/30/tupi-machine-na-sala-do-estar/

Foto: Divulgação

Fiquei bastante surpreso com este EP que Hugo dos Santos nos presenteia. Um belíssimo trabalho com um pé na MPB, no Samba e ótimas letras. A produção é assinada por Levi Nunes (Da banda Ultrópico Solar; Nevi Lunes) e conta com a participação de membros da Ultrópico na sua feitura. O disco foi gravado na casa do produtor Levi Nunes em Parnaíba-PI e mixado e masterizado no BlackRoom estúdio em São Luís-MA. Trata-se de um trabalho com composições que nasceram na cidade de Teresina e foram gravadas no litoral do Piauí. Do rio para o mar. Do mar para a rede. Da rede para quem ao vento soprar.

A impressão que o EP transmite é que Hugo está sentado numa sala tocando estas músicas ao violão e tudo o mais se completa de forma tão natural quanto o canto de um bem-te-vi, conforme nos anuncia a bela canção que abre o EP.

“Tudo Aquilo que Arde em Meu Peito” é um samba irresistível, que entrou na playlist editorial “Sambas da Manhã” do Spotify, e que mostra toda a versatilidade do artista. Não é qualquer pessoa que se aventura a mexer com a sua excelência, o samba, e se dá bem.

“Bile” tem um ótimo arranjo, flertando com o alternativo em alguns sons, em nuances que vem e vão, levando o ouvinte de um lado a outro.

Na sequência, “Telha” traz uma das vozes mais bonitas da música piauiense, Brisa! “Telha” já havia saído como single, e possui mais de 14 mil plays só no Spotify. Uma música gostosa, que certamente você ouvirá várias vezes.

“Vela” fecha o EP dando pistas do que provavelmente poderá vir nos novos trabalhos de Hugo.