Foi lançado na semana passada o novo disco do quinteto Declinium, uma das mais destacadas bandas da cena rocker baiana. É o quinto EP com seis faixas e talvez seu melhor ou mais instigante play; seja pela sua produção mais uniforme, pelas letras que embora tenham forte teor pessimista, revela uma das características incisivas dos seus integrantes, principalmente quando cantadas com raiva pelo vocalista Oreah Chinaski – seu timbre de voz lembra o do lendário roqueiro brasiliense Renato Russo.

Outro ponto interessante é o amadurecimento em que a banda atingiu ao somar suas referências musicais latentes com o pós-punk inglês anos oitenta e o alternativo-grunge anos noventa, sem nenhum momento sua sonoridade soar derivativa. Aliás, na atual música contemporânea, especificamente o rock e seus subgênero, fica muito difícil desassociar o seminal estilo em suas origens no século passado. Transitar bem nessa seara é para poucos de bom senso criativo. Ponto para a Declinium.

Na constância artística do disco destaques para a proto-sludge “They Care About It”, a única cantada em inglês; a excelente indie-alt-rock “Cão Sem Dono” – uma mensagem subliminar para tempos sombrios – , e a faixa título “Dias Ácidos”, a mais longa e com ar de mantra.

Com mais de vinte anos de estrada, a banda de Camaçari não cede um palmo do que convencionaram chamar na Boa Terra de “rock triste”. A tristeza também é um elemento na nossa existência. Desde já um dos melhores lançamentos do ano. Disponível nas principais plataformas digitais. Altamente recomendável!

https://trincadeselos.bandcamp.com/album/dias-cidos-ep