A noite do dia 23 de abril, que ficou marcada pelo Carnaval fora de época, ocasionado pelo adiamento em virtude da Pandemia do Coronavirus, também marcou a volta, mais de dois anos depois, do Entrecultura na praça. O evento foi especial. E carregou certo simbolismo. Foi realizado na Praça Ocílio Lago (ou praça dos Skatistas, como eu e certamente a maioria dos leitores aqui preferem) que teve um dos últimos eventos pré-carnavalescos de 2020, quase um prelúdio desse hiato de dois anos ocasionado pela Pandemia.

O primeiro show da noite foi da Navegantes e as Águas de Ynaê, que recentemente lançou álbum homônimo. O show, que foi o único a não sofrer com a chuva, mostrou essa banda que faz um som que mescla boa música baiana, soul music e dois dedinhos de Pink Floyd, com letras variadas, que passeiam entre o empoderamento feminino e a poesia contida na contemplação do mar e sua brisa. Dica? Vão no seu aplicativo de música e escutem JANAÍNA no volume máximo. O EP é maravilhoso e o show foi muito bom, levando o público presente a dançar durante toda a sua duração.

Em seguida, sobe ao palco a Validuaté, emendando um hit atrás do outro. A quantidade de fãs que a Validuaté carrega consigo a cada show é impressionante. O público canta tudo junto. No meio do show da Validuaté, o céu teresinense desabou num mundaréu de água. Mas nem isso intimidou o público. Uns foram se abrigar embaixo das tendas disponibilizadas pelo Entrecultura, outros sacaram seus guarda-chuvas e o evento continuou, com a Validuaté passeando por todo o seu repertório e levando o público, molhado ou não, cantar tudo junto, a plenos pulmões.

A terceira banda foi a Dornè que trouxe um som que animou o público debaixo de muita, muita água. Eu, que ainda não tinha visto o show da banda, gostei demais. A banda trouxe baladas com temas que falam de amor, mesclando em seu som que é essencialmente rock, com pitadas da música dita brega dos anos 70 e 80, com guitarras que também passeavam por temas blueszisticos. Vale muito a pena ouvir. Inclusive, estou ansioso pra ver as demais músicas apresentadas no sábado, gravadas. Certamente entrarão nas minhas playlists.

Vale destacar aqui o respeito que o Conjunto Roque Moreira teve com o público que esperou até o final pelo show desse grande ícone da música piauiense. Eles subiram ao palco quando não era mais possível tocar. A chuva, que foi pesadíssima, começou a invadir o palco de modo extremamente perigoso, ameaçando a segurança dos músicos. Eles ainda tocaram o primeiro bloco do show, levaram parte dos que ainda se abrigavam sob as tendas ao meio da chuva. Musicalidade genuinamente piauiense. Aquela mistura de rock and roll com forrozão de esquema do interior. Todos os presentes queriam mais. Mas a banda teve que encerrar sua apresentação porque era perigoso demais continuar. Fica pra próxima.

Foto: Isadora Soares.

O Entrecultura na Praça já figura no calendário cultural da cidade com grande destaque. Ótimas atrações musicais ocupando as praças da capital levando arte e cultura pra o público teresinense que provou, mais uma vez, que gosta de uma boa música e comparece quando o evento acontece. O público também deu show, prestigiando os artistas, colaborando com a limpeza da praça, colocando o lixo dentro dos coletores disponibilizados pela organização e mostrando que não é de açúcar. Se a música é boa, vale à pena se molhar.