Depois de 22 anos, Teresina recebeu novamente o DFC, dessa vez no palco do Bueiro do Rock. É tanto tempo que em 2000, por exemplo, o Bueiro, hoje local indispensável do cenário underground de Teresina e do Brasil (porque não?) sequer estava nos planos da família Silva.

A noite começou um pouco antes. O Káfila anunciou no início da tarde que não iria poder tocar, devido a um de seus integrantes apresentar sintomas gripais, que, de modo responsável, decidiu não ir ao evento. Ainda existe um vírus por aí que é perigoso.

O show, marcado pra iniciar às 19h, foi reprogramado e começou às 21h. O Retalhador subiu ao palco e mostrou um repertório com muito peso. A banda fez um show primoroso, onde a inegável qualidade dos músicos deixou ótimas experiências aos que viram o show. É bom ver que ainda é possível ouvir metal em eventos predominantemente punks.

Foto: Jairo Mouzzez

O Obtus foi a segunda banda a subir ao palco e é incrível como os anos, os shows e a experiência de ver esses caras no palco ainda faz tanto a cabeça da galera mais jovem quanto dos amigos que já ostentam uma cabeleira branca. O show trouxe muita energia, aqueceu a galera presente e as rodinhas foram insanas. Eu, já não tão garoto, peguei dois “encontrões” na roda e percebi que as rodas são para jovens senhores apreciar e não pra brincar. A apresentação foi encerrada com o hino da banda, “Caravana”, mostrando que o Obtus ainda tem muita lenha pra queimar e a caravana não vai parar.

Foto: Jairo Mouzzez

O DFC subiu ao palco e fez uma apresentação que explorou todo o seu repertório construído nas últimas três décadas. É incrível como a energia da banda contagia o público. Eram 22 anos sem uma apresentação em Teresina e em certo momento me peguei a filosofar que muitos dos presentes sequer ainda tinham nascido quando da última apresentação aqui no ano 2000. Sucessos como “Venom”, “Roleta Russa”, “Todos eles te odeiam”, “VSFNI”, “Lucro é o Fim” e “Hildebrando Chainsaw Massacre” não passaram despercebidos. No fim do show, o DFC chamou o produtor e vocalista da Pancreatite Noise, Pedro Hewitt pra cantar a singela “Vou chutar a sua Cara”, para delírio dos presentes.

Foto: Jairo Mouzzez

No fim, uma Jam com Chakal Pedreira nos vocais e o Paulo no baixo encerrou o show com “Molecada 666” fazendo o encerramento dessa apresentação que, pra mim, foi um dos melhores shows que já fui no Bueiro do Rock. Após o show a banda atendeu a todos os presentes com fotos, foram desenroladas resenhas sobre o momento político do país, do retorno dos shows… Ainda há esperança.

A galera compareceu em peso ao show. Público bom. E o Bueiro sempre nos recepcionando com cerveja gelada e calor humano. Que tenhamos mais rolês, que a galera também compareça aos shows. Afinal, isso só faz sentido se todo mundo estiver presente. Teresina ainda pulsa. E que o DFC não demore tanto pra voltar. E sim, eles são muito, mas muito, melhores que o Guns’n Roses.