No último sábado, 28 de maio, saí de casa com um objetivo: estar em três eventos na mesma noite. Afinal, eram três eventos onde eu queria estar. E eventos que, de certa forma, tem públicos similaridades. Eram eventos de rock.

Cheguei cedo ao Rock contra a Fome e a Navegantes já estava fazendo seu ótimo som no palco do Teatro do Boi. A estrutura de som e luz era de primeira linha. Ainda passaram pelo palco a Black Soul, Garoto Androide e Os Cardinais. A Eclipsed fez um show de respeito, carregando muito peso no seu som Doom/Black Metal. A banda onde canto estava no cast, mas a Chikungunya acometeu nosso baterista e não pudemos tocar.

A noite era grande e eu tive que ir no Mosh Or Die, evento da Gagau Produções que entupiu o Clube dos Diários. Acompanhei metade do show da Suburbius, onde a banda desceu a lenha com seu Death Metal cru e direto, com a cozinha furiosa e vocal agressivo. Um grande destaque nesse evento foi a diversidade do público. Tinha gente do reggae, do teatro, tinha DJ, boa parte do público que acompanhava a Flid também colou e o evento foi lindo. Como é massa ver tanta gente junta.

Voltei pra acompanhar o show do Káfila no Teatro do Boi. É impressionante o gás que o trio Rubens/Fernando/Assis deixa no palco quando sobe pra fazer o som. Participei ainda cantando “Familicia” que gravei com eles no EP “Necropolítica”. Eles fizeram um show que percorreu pela sólida discografia. Teve Coletivo, Playground, os singles e o último EP. O evento da AlTHErnativa teve público um pouco menor. Não por culpa da localização ou da estrutura, que teve um grande som. Talvez o esperado show do Jacau que só aconteceu quase três anos depois e o Quimera dividiram o público.

No fim da noite, fui ao Multiverso no exato momento que o evento estava na metade. O ótimo Fryer e a Deepmoon já tinham feito seus shows e não pude acompanhar, infelizmente. Mas tive a sorte de ver o show de lançamento do novo disco da Corona Nimbus. A banda, capitaneada por Júlio Baros e Junior Vieira, tá fazendo um som gigantesco. Embora eu não possa negar que o embrião da V-Road esteja ali, é notável o quanto fazer a Corona Nimbus os amadureceu como artistas. Estão fazendo um som que logo estará soando fora do Brasil. E pela coragem dos dois, certamente vão pegar carona nas ondas dos streamings e vão junto, sem dúvida.

A noite encerrou com o Anno Zero, que trouxe de volta o André Melo às guitarras da banda. Tava com um tempo que eu não o via junto com a banda e isso trouxe boas memórias do meio dos anos 2000. É incrível como o “Another Pleasant Evening” ainda soa tão bom 18/19 anos depois. É sim um dos clássicos da música boa feita no Piauí e o André, de volta, ao lado do Fyb C. é um dos grandes responsáveis por isso. É inegável como o Pádua Belo (Patim) tá muito integrado e entrosado com a banda. O repertório também trouxe músicas do ótimo “The Next Level”, passeando pelas duas fases da banda e deixou o público do Multiverso pulando, a cada música executada pelo quarteto.

A noite encerrou com “Fool” e “Hear”, os dois grandes hits do primeiro álbum, fazendo o público cantar num coro só. Afinal, muitos dos presentes ainda possuem os discos e tiveram a chance de ouvir essas canções pelas ondas do rádio.

Tive ótimas impressões dos três eventos. Nesse momento de contenção da pandemia é maravilhoso ter tanta coisa acontecendo. O ponto negativo foi que, por querer tudo, não consegui ter tudo. Gastei mais com deslocamento do que com cerveja. E olha que peguei uma carona e bebi bem. Se os shows tivessem acontecidos em datas diferentes eu teria visto todos os shows na íntegra, mas não teria tido essa experiência única de tentar ser um corpo simultâneo em três espaços diferentes. O Underground vive. Tá de pé. E forte.