Casas de show, pequenas, médias ou grandes, são essenciais para que uma cena de bandas se movimente. Nelas não somente um público é cativado e fidelizado, mas também outros agrupamentos de bandas são fomentados, garantindo que ocorra uma especie de oxigenação, e uma consequente continuidade na cadeia cultural. Nesse quesito, nota dez pro Locomotiva Irish Pub, casa que cede, em parceria com a 202 Produções, seu palco às quartas-feiras para a apresentação de bandas autoriais. É de se aguardar que o exemplo reverbere em outras casas do gênero em Teresina.

Foto: Rubens Lerneh

Corona Nimbus é uma banda formada pra operar no conceito ‘fora da caixa”. Júlio Baros (guitarra e voz) e Junior Vieira (guitarra) são os únicos membros fixos, responsáveis pela parte de composição e arranjos, enquanto baixo e bateria, aqui ocupados respectivamente por Victor Rufino e Iago Dayvison, atuam como músicos convidados. Ainda marcando como diferencial, a banda conta, a exemplo de algumas bandas como Radiohead, com a figura do produtor Iago Guimarães, atuando como quinto membro, em gravações e operando som ao vivo. E a coisa funciona, basta uma ouvida no recém lançado “Obsidian Dome”, onde fica patente o objetivo da banda em fincar uma bandeira um pouco mais além das paragens locais. Títulos como “Pollar”, “Doomsday” e “UnNatural” são alguns dos exemplos do repertório que a CN prepara pra colocar na estrada, tendo como pontapé inicial esse show do Locomotiva. A apresentação da CN contou ainda com participações de Fyb C. (Anno Zero/People of Importance) e Caio Ramon (Eclipsed).

Foto: Rubens Lerneh

Criada durante um hiato da Anno Zero pelo guitarrista e vocalista Fyb C., a People of Importance conta hoje, além do guitarrista Flávio Anderson (também Àgò) e do baterista Victor Moreira (também Eclipsed) com o baixista Rafa Bizarro (também Wisenfool) no baixo. A proposta do projeto, além de juntar músicos com outros trabalhos encaminhados na cena, era tocar um death metal com influências de doom, na escola dos primeiros trabalhos do Paradise Lost, mas com aquela mãozinha “carregada” de um Carcass, por exemplo.

Foto: Fernando Castelo Branco

E foi bem com isso que os presentes foram brindados, um som pesado, cru e por vezes com passagens rápidas. Impossível não assinalar a semelhança com os primeiros trabalhos do Monasterium (na fase das demo-tapes, antes do antológico “Innocente Rise”), banda que despontou na cena teresinense nos anos 90, e onde Fyb C. debutou como guitarrista.

Foto: Fernando Castelo Branco

Importante louvar, novamente, a iniciativa do projeto que leva bandas autorais, ainda meio “desnorteadas” depois de dois anos de pandemia, ao palco de uma casa que lhes oferece estrutura e logistica impecáveis, sem falar no excelente acesso. Ficamos na torcida que o público continue prestigiando, o que garante a longevidade da iniciativa.

Foto: Fernando Castelo Branco