Carlos Henrique Malves, o CH Malves é músico e baterista natural de Aracaju, Sergipe. Ele começou a tocar bateria aos 15 anos e desde então foi uma constante evolução. “A Bateria sempre me cativou, desde criança a sonoridade me pegava e tinha facilidade em reproduzir, batucava no canto da cama, nas meses e fazia baquetas com tubo de caneta e fita crepe, adorava Rush e Ramones”, comenta CH.

Fez aulas de bateria com  Rafael Jr,  lendário baterista da banda indie sergipana Snooze, e a partir daí se inseriu na cena musical de Sergipe, onde tocou em diversos projetos. “Aprendi a tocar aceitando todos os convites para bandas que chegavam até mim. Toquei em muitas bandas. Tive um belíssimo cover do Black Sabbath, tocava na Orquestra Sinfônica de Sergipe, na banda grind noise Da Boca ao Reto e participei da primeira formação da Banda dos Corações Partidos em 2005”, explica o músico. Essa versatilidade é importante até hoje. “Em 2006 comecei a tocar na banda psicodélica pernambucana Anjo Gabriel, fizemos vários shows e gravamos um ep com duas baterias na época. Em 2007, me afastei para fazer graduação em Percussão na Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Retornei para o Anjo Gabriel em 2009 e fiz 4 turnês pelo sudeste. Em 2013 gravei Lucifer Rising, eleito melhor disco do ano por Fabio Massari”, relembra.

Foi em João Pessoa onde se inseriu ainda mais em uma cena musical, não apenas como baterista, mas também produzindo eventos e estudando. Criou a banda instrumental Ubella Preta em 2010, com quem gravou 3 trabalhos entre álbuns e EPs. Tocou com a lendária Jaguaribe Carne e fez parte da Glue Trip entre 2013 e 2019, gravando as baterias do segundo álbum. “Nos últimos 5 anos tenho me dedicado à música experimental com o grupo whypatterns_ , projeto solo e a série de concertos Artesanato Furioso”, comenta o artista. “Vivi profundamente a cena underground indie sergipana, a psicodelia pernambucana e viajei muito pelo Brasil em festivais com a Glue Trip. Passei pela música orquestral e caí nos processos experimentais contemporâneos. Vivi tudo que a música pode oferecer de oportunidades. As cenas são o que temos de mais valioso, as relações humanas, o cooperativismo, as descobertas, os perrengues e soluções”, complementa CH.

Atualmente, CH é professor no curso de arte e mídia em Campina Grande. Agora, junta toda sua experiência e  apresenta ‘Deep Space’, lançada hoje como single/clipe do EP/ Concerto “Manuscrito Sobre Pedras”, seu primeiro trabalho solo, gravado e desenvolvido com apoio da Lei Aldir Blanc do estado de Sergipe e que será lançado no final do mês pelo selo Hominis Canidae REC, que também lança este single. ““Deep Space” é uma provocação textual. A referência principal são as imagens digitais que acompanham o clipe do artista visual Rafael Diniz. Fiz ela no formato eletroacústico, editando partes pré gravadas e sobrepondo ostinatos de glockenspiel e percussão. Na captação usei as imagens para guiar a improvisação. A ideia era atingir uma sonoridade que fugisse das ideias tradicionais de espaço mas que mesmo assim fizéssemos perder a noção de tempo decorrido”, explica o artista. A faixa instrumental já está disponível em todos os serviços de streaming e vem acompanhada de um clipe com artes do videomaker cearense Rafael Diniz, intercalados com cenas do concerto ao vivo onde foi gravado o EP.