Por Pedro Hewitt*

Em pleno domingão, pré trampo e no meio de um suposto início de Br-o-Bró, o Multiverso (Nova casa de eventos/estúdio/local pra encontrar alguma banda) recebeu o show/confraternização/festejo de mais um ano do Blog Noise Land, que trouxe a banda paulista SURRA. Banda que se propõe a homenagear os mais rápidos e insanos riffs, teve uma grande tarefa em fazer uma mini tour, que exigiu não só braços e pernas, mas paciência e muita garra pra sustentar os obstáculos, longas horas após um imprevisto aéreo e enfrentar mais de 25 horas em uma balsa. Porém, isso não foi problema de desânimo para o power trio, que é liderado pelo vocalista Léo Mesquita.

O evento começou a chamar a atenção do público logo de cara devido aos eventos anteriores, executados pelos extintos Cajuína Voadora e Coletivo Nuvem Negra THE, onde as expectativas foram atendidas de forma deslumbrante. Mas vamos ao ocorrido; pontualidade já é um bom ponto forte aqui, o que digo e confirmo sempre, se o som chega no horário, a passagem também, é devidamente obrigatório começar o evento pontualmente, onde a Kandover sobe ao palco para abrir as festividades, onde reintegra sua formação com o menino prodígio, Reyel Caires, se destacando em diversos pontos em sua habilidade de baterista e pela semelhança de épocas de ouro oitentista do Cólera, Olho Seco, The Exploited, que com certeza mais tarde virá a contribuir com sua performance artística. A banda deu um upgrade, é um fato inegável.

”Traficar informações” se resume em uma palavra: bastardos. Banda de mestres, com poder de fogo e com um som pesado de mão cheia, e nem precisa ser inusitado pra entender que a banda dispensa quaisquer comentários elegantes. Lembro eu, ano passado, em sua primeira apresentação aqui em Teresina, não era difícil saber o que se poderia esperar da apresentação. Claro, a positividade era latente e muitos já esperavam uma concisa apresentação, logo, os integrantes já são bem conhecidos por aqui, que no meu ver compôs a formação mais brutal e impecável da banda que informo, a BASTTARDZ, que obviamente obteve uma das melhores ações em cima de palco que já vi ao longo desses anos, não existiu ponta solta, nem mesmo pelo guitarrista, Inaldo, possuir apenas 30% da voz, onde todos os músicos eram reconhecidos por seu talento extremo.

Este show trazido a nós entregou tudo o que os fãs de Metal, Hardcore, Punk poderiam querer. Após iniciar a apresentação com a rápida loucura de sons novos, mantiveram o clima de peso, para finalmente dar lugar ao lirismo encantador e que se encaixou surpreendentemente com ”Fogo na Zona Sul”, aliás, ZONA LESTE. Não teve essa do público se soltando, mal passaram o som e já tinha um pequeno grupo do Grind e Punk no agito, preparado pra fazer o fogo na babilônia, e em resposta o cantor, André Nadler, também se deixou levar pelo clima absurdo de quente, chamando o público e levando geral ao delírio. Pequenos pontos com Marcelo D2 foi fechando a noite, e um bis com um cover nostálgico de Aids, Pop, Repressão foi sob medida para fechar o setlist.

A banda da noite, ou melhor dizendo, o SURRA, tocou um brutal set de misturadas musicais que foram de início da carreira até as atuais, cantadas 100% pelo público presente. Os músicos mostraram toda sua técnica em uma sequência de riffs infernais e palhetadas que por si só já parece um enorme chute na tela de carne que temos. Um verdadeiro show de virtuosidade. Virtuosidade, inclusive, é uma das palavras-chave deste show. O trio é de excelência, habilidade e clareza, executando sua melhor fase. Victor Miranda é um excelente baterista, mostrou grande técnica ao tocar os clássicos, e pegadas que transitam do Grindcore ao Death Metal. Leo Mesquita tem uma pegada bastante especial, além de um ânimo e liberdade no palco que encantaram todos ali presentes. E sem falar em Guilherme Elias, que conta com uma performance estonteante e de refrãos ardentes nas faixas que integra. 

A banda mostrou novamente grande sinergia, e encantou sem dó e sem piedade. Em resumo da obra, a apresentação foi memorável, digna de ser uma das melhores apresentações já vistas em bandas do gênero. O público surgiu como possível para um domingo, variante até, adequado para recepção. Uma grande noite para termos uma ótima semana de estudos e trabalhos!

*Pedro Hewitt é Estudante, Headbanger, amante de relações públicas, responsável pelo Infektor Self Festival & Toque Rápido ou Peça Perdão, trabalha desde 2015 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Metal como Onslaught, Air Raid, Enforcer, Fist Banger, Escarnium, entre outros.