A tarefa de resenhar um trabalho do Megahertz tarda mas chega. Não é só dissecar faixas e detalhar coisas que passam talvez pouco perceptiveis ao ouvido mediano. Aqui tem de ser no estilo “senta que lá vem estória”, porque até chegar nesse aguardado “Burning Like Hell” foram trinta e sete anos de estrada, pioneirismos, diversas formações, mudanças e correções de rota, e o famigerado peso da camisa. Como isso daria uma tese socio-econômica, encurto o caminho advertindo ao leitor que ele não estaria lendo esse blog, ou até estaria, mas de outra forma bem diferente, sem o pontapé inicial que o Megahertz deu há muito tempo atrás no rock piauiense.

“Burning Like Hell” é o quarto trabalho do Megahertz (listando o split “Technodeath”, de 1989, o compacto “Rehearsal Tapes”, de 1992 e o CD “Piramidal Power”, de 2002, sem citar aqui inúmeras demo tapes), e hoje conta, além do único membro da formação original, o guitarrista Kasbafy, com Mike Soares, guitarrista e também produtor, Marcelo “Briba” no baixo, Iago Dayvison na bateria e Nixon nos vocais; formação essa que tem se mostrado a mais duradoura e coesa dos últimos anos.

Após incursões que flertaram com metal industrial dos anos 1990, o Megahertz volta na pegada thrash bay area que já marcava seu som lá nos anos 1980. Esse retorno às origens fica patente logo na faixa de abertura, “The Sound Of Destruction”, que traz além de riffs marcante, a voz de Nixon bastante marcada pela influência de Steve “Zetro” Souza (Legacy/Exodus/Hatriot/Dublin Death Patrol). “Burning Like Hell” segue então por convites ao estilo de vida metal, em “Bang Your Head”, com refrão ao estilo Accept, e faixas como “Thieves in Black”, uma daqueles canções que não poderiam faltar em qualquer clássico do estilo. Temos ainda a faixa-título, uma singela homenagem ao que Teresina tem de mais marcante, o calor infernal, e “Heroes”, que foi o primeiro single deste trabalho disponibilizado aos ouvintes pela banda.

Resta fazer figa pro Megahertz pegar estrada e divulgar a intensidade e a qualidade de “Burning Like Hell” Brasil e mundo a fora, no exato momento em que a cena rock precisa tanto voltar a despertar interesse em novos adeptos por aí.