Carlos Henrique Malves, o CH Malves é músico, produtor e baterista de Sergipe, com enorme experiência em diversas bandas do Nordeste do Brasil. Tocou na Orquestra Sinfônica de Sergipe,na banda instrumental psicodélica pernambucana Anjo Gabriel, na banda indie paraibana Glue Trip, entre vários outros projetos. Aliás, foi na Paraíba onde desenvolveu ao máximo seu trabalho como músico, produtor e baterista. Fundou a banda instrumental Ubella Preta, tocou com a Jaguaribe Carne, fez parte do coletivo Artesanato Furioso e do Selo Fictício, entre outros projetos.

Atualmente, CH é professor no curso de arte e mídia em Campina Grande, e finalmente apresenta seu primeiro trabalho solo. “Manuscrito Sobre Pedras” remete ao desejo de talhar a pedra e encontrar ali suporte primordial para o desejo expressivo. O disco conta com quatro composições que progridem através de processos aditivos de camadas e sonoridades, contando uma história: ‘Selva’, mais crua, ‘Planeta’, alerta e urgente, ‘Deep Space’, soltos no espaço e ‘Post-Human’, o fim.

Fruto de experiências com overdubs, técnica estendida, microfonação móvel e música eletroacústica, o artista apresenta uma sonoridade que beira a saturação e esgarçamento a partir dos temas títulos de cada música. A Bateria com amplificação fluida, revela focos sonoros entre pratos, peles, cerdas metálicas, Glockenspiel, Percussão e resíduos do espaço, trazendo uma tentativa de escuta expandida para o instrumento e sua recepção.

“”Manuscrito sobre pedras” foi um disco que nasceu do título. Pensei nele focando em performance e na etimologia da palavra interpretar, o final parece “petrar” que lembra pedra, rochedo. Que caminha entre pedras. Essa ideia transmitia um certo sofrimento, dificuldade, superação, queria expurgar isso. Um manuscrito carrega também uma ideia artesanal que gosto bastante. O rastro disso me interessou. Desse jeito, fui juntando sons que tinha feito para uma performance ao vivo e processando. Sobrepus, acelerei, dilatei, distorci. Com essa estrutura fiz as quatro músicas que compõem o trabalho. O disco é curto, gosto da sensação de dilatar o tempo pela falta de pulso, o som acaba ficando maior“, explica CH Malves.