Estrada não é brinquedo. Adicione aí 40 voos em 43 dias, poucas horas de sono, refeições na correria, tudo isso em nome de deixar o rock rolar. É isso que as meninas da Crypta tem feito desde maio, salvo inicio de semana e seis shows postergados no México por problemas diplomáticos alheios aos organizadores e à banda. Foram vinte e sete shows em 10 países e dezessete estados brasileiros.

Foto: Fernando Castelo Branco

E olhe que elas estão ainda no primeiro disco! Quando do racha na Nervosa, pouco antes da pandemia, ao invés de ficarem deitadas na cama em posição fetal, Fernanda Lira (baixo e voz) e Luana Dametto (bateria) colocaram a mão na massa e contaram com a ajuda da internet não apenas pra começar a dar vida ao repertório da nova banda, mas também para encontrar duas guitarristas, nas personas da mineira Tainá Bergamaschi e da holandesa Sonia Anubis, que mesmo tendo gravado “Echos of the Soul” e feito o show de estréia da banda no Porão do Rock em Brasília em novembro de 2021, deu lugar à Jessica Falchi pouco antes do inicio da turnê.

E com essa “pequena” bagagem, a Crypta chegou em Teresina no último domingo, público com as canções na ponta da língua, bastante empolgado e que não desanimou nem com um extenso intervalo com direito à passagem de som antes do show. O fato de tocarem juntas presencialmente há pouquissimo tempo nem de longe compromete a performance da banda. Impressionam na técnica e precisão, deixando o carisma de front woman de Fernanda Lira servir de “cimento” pra selar a coleção de death metals bem crus que formam “Echoes of the Soul”.

Foto: Fernando Castelo Branco

Parênteses especiais pros parnaibanos da Morbid Whisper, que há tempos fazem essa ponte entre litoral e capital, cuja competência sonora já era velha conhecida do público teresinense; e pra Corona Nimbus, que segue firme na divulgação de “Obsidian Dome”, agora com João Paulo Araújo (Dreimdeimor, V-Road) no baixo.