O mês de agosto já está entre nós e além de nos dar conta de que o ano está voando, a gente pode comemorar que a Parada de Cinema vem aí para agitar o cenário audiovisual piauiense. A programação desse evento mantém ativa a divulgação do cinema independente piauiense há uns bons anos e movimenta muito a cena, apesar das dificuldades enfrentadas. Se antes já era complicado levantar uma iniciativa como essa, imagina num contexto pandêmico num país desgovernado onde os dirigentes do poder odeiam cultura.

Mas a resistência foi mais forte e após dois anos sem encontros presenciais as exibições estão de volta juntamente com os encontros e trocas possibilitadas pela Parada. A roda gira e as conexões são positivas, pois fomentam novas ideias que gerarão mais oportunidades para outras produções no futuro. 

Na verdade, não é somente na semana de sua realização que o evento consegue mobilizar produtores e amantes dos filmes. Nesta edição, por exemplo, três produtores locais foram contemplados com uma bolsa estímulo no intuito de finalizar filmes já em andamento. Dessa forma essas produções poderiam ser lançadas durante a programação que acontece daqui uns dias. 

Espaço Multicultural Stouradas / Foto: Divulgação

 Conexão Stouradas: Parada de Cinema #7 ocupa centro no mês de agosto em Teresina 

Serão três dias de exibições de filmes, vídeo exposições, bate-papo com produtores do audiovisual, oficina e shows. Após uma edição online, em meio a pandemia, a Parada de Cinema volta enfim a ser um espaço de encontro e trocas das mais diversas expressões – o centro da cidade configura-se, então, como lugar propício para intervenções artísticas através da imagem e das possibilidades do vídeo.  

“Quando a Tássia me falou sobre a ideia de realizar a mostra no Stouradas eu senti um grande reconhecimento do centro como espaço multicultural”, diz Richard Henrique, produtor, Dj e idealizador do espaço. “Sempre fui espectador e público da Parada, admirando-a pela trajetória e como evento grandioso daqueles que toda capital tem que ter, sabe?”, comenta. 

Richard Henrique / Foto: Divulgação.

No local – 500m² divididos entre área externa e interna -, além das exibições dos filmes, duas galerias exibirão exposições audiovisuais (“Aparições”, Datan Izaká e “Milagres Mistérios”, de Bruno Moreno). Após os filmes e os debates, a área aberta se transformará em palco para apresentações musicais e set de das especialmente para a Parada – Richard, que também atua como Dj, assume as pick ups em uma das noites. “Farei uma pesquisa sonora mesclando as culturas musicais dos anos 80 até os dias atuais”, adianta. “Penso sobre um mix de ritmos improváveis juntos, que tragam a ideia de diversidade e memórias afetivas inesperadas”.  

Para a diretora e curadora da Parada de Cinema, Tássia Araújo, ocupar espaços no centro é também uma forma de falar diretamente do universo Queer, sempre tão presente na mostra. “O centro nunca deixou de ser esse espaço de marginalidade e resistência, então fazer uma conexão com espaços culturais que estão reunindo jovens, pessoas LGBTQIAP+ e que estão abertos para ocupações provocativas é algo que engrandece todos os movimentos”, diz a organizadora.  “Eu vejo o trabalho da Parada de Cinema como certeiro, provocativo e significativo”, complementa Richard.  “É a cidade, e sobretudo o centro, ainda mais em movimento”. 

 
Centro Multicultural Stouradas 

Centro Multicultural Stouradas // Foto: Divulgação

O Centro Multicultural Stouradas, um casarão pertencente ao patrimônio arquitetônico da cidade, é um espaço de vivências coletivas e celebrações que pautam a diversidade e a relação de corpos espetáculos com a cidade. Com atuação nos segmentos de empreendedorismo, artes e culturas integradas, o espaço surgiu em Teresina em 26 de agosto de 2017. Boa parte das ações lá realizadas envolve técnicas sociais de inclusão e políticas públicas. O público-alvo do projeto são pessoas pertencentes a comunidade LGBTQIAP+, população negra e/ou mulheres.  

Um pouquinho do que vai rolar 

Particularmente achei uma excelente ideia e já estou ansiosa para ver e quem sabe até debater com esses realizadores. Porém, se você for como eu e tem uma agenda complicada não sabendo se vai conseguir comparecer em todas as exibições, fique de boas. Depois da mostra dentro da Parada eles ficarão disponíveis no site por 10 dias para quem quiser assistir. Se liga nas sinopses: 

– Sonhos Que Envelhecem Cedo (Poliana Oliveira) 

O documentário pretende demostrar como o casamento infantil de meninas ainda existe e que não é um problema apenas do passado. Relatando a história de uma mulher e resgatando suas memórias. 

– Telefone Sem Fio (Juhx) 

Até onde vão as consequências de um boato, quais lugares onde um babado passa e se distorce até voltar para sua origem? São essas as proposições principais de Telefone Sem Fio, mostrando na cidade de Teresina, por quais caminhos um disse me disse pode levar. 

Terra Nossa (Germano Portela e Milena Rocha) 

Sob Céu azul e um forte sol, mata de cocal adentro vozes ecoam a beira da estrada. As mulheres oram a Deus e sob constante ameaças, resistem na luta por um pedaço de terra para plantar e viver. 

Além desses filmes, a mostra conta com outras produções piauienses para a gente conhecer o que anda sendo feito por aqui. 

E para quem se interessa em partir também para a produção, a Parada está oferecendo 15 vagas para uma oficina de Criação Audiovisual com Celular. Dá para se inscrever através desse link https://forms.gle/xGUaZMozfNed5vc3A e tem direito a certificação no final. 

É ou não é um evento imperdível? Tá benhaí, viu! Se programe. 

Parada de Cinema #7 – mostra de cinema brasileiro contemporâneo 
19, 20 e 21 de agosto 
18h – entrada gratuita 

No Centro Multicultural Stouradas 

Rua Lisandro Nogueira, 1310 

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