La Palma é um duo musical feito à distância, criado em 2019, por dois velhos conhecidos da cena de DC. O projeto é formado pelos músicos Chris Walker (Que Vive em São Francisco) e Tim Gibbon (Que continua em Washington DC). Trabalhando entre duas cidades, a música de La Palma é criada toda virtualmente, passando gravações para frente e para trás para construir composições texturizadas que extraem do cotidiano sons e experiências. O duo tem 2 álbuns lançados em vinil, “La Palma” (2019) e “Moonflower” (2021) e alguns singles lançados no meio do caminho.

Agora, o projeto apresenta uma inusitada versão de “Sangue Latino”, canção brasileira lançada em 1973 pela banda folk experimental Secos e Molhados, um dos grupos mais importantes da música brasileira, que lançou Ney Matogrosso para o público. A canção é muito especial para o Chris, filho de mãe brasileira, que cresceu ouvindo e cantando a música junto com sua mãe. “Sangue Latino é uma música tão especial e complexa. É política e desafiadora, mas vem vestida de renda e seda colorida. Minha mãe tocava para mim quando eu era criança, mas nunca conversamos sobre os artistas ou o significado das músicas, era para ser apreciado puramente por seus sons doces e os sentimentos que a música nos causavam”, comenta Chris. “Gosto muito de música brasileira, adoro o Jorge Ben, principalmente a forma como ele canta, a sua voz e o jeito que ele consegue mudá-la de acordo com o ritmo. A Menina Mulher da Pele Preta é uma das minhas favoritas dele, adoraria passear por dentro dela e tentar remodelá-la para torná-la nossa. Eu sei que seríamos melhores músicos por isso”, complementa o artista.

Sobre o processo da feitura da versão, Tim explica: “O processo criativo foi muito semelhante à nossa abordagem usual. Orgânico é provavelmente a melhor maneira de descrevê-lo. Tive a ideia de gravarmos um cover e quando Chris sugeriu Sangue Latino, acho que nós dois sabíamos que era o único e especial”, comenta. “Depois disso, tornou-se um processo de tentar entender a composição da música e o que a tornava tão emocionante e especial. O Chris passou algum tempo trabalhando na pronúncia das letras, eu passei algum tempo tentando recriar aquele riff de baixo icônico que impulsiona a música. Foram meses de processo pra gente chegar no resultado que achamos ideal.. É como decorar um bolo, como você gira e adiciona camadas de glacê e as suaviza e gira um pouco mais e adiciona mais um pouco até que fique delicioso e lindo”, complementa.

O resultado desta homenagem é uma junção de identidade e memória que se misturam através do tempo. Com sonoridades de  folk, psicodelia, tropicália e dub, com uma abordagem quase caleidoscópica da música. Sobrepondo texturas de guitarras elétrica e acústica, um teclado swingado e um vocal aveludado. Uma homenagem a uma banda que extrapolou o imaginário da música popular brasileira e segue relevante no mundo até hoje em dia. Junto com o single, que chega hoje em todos os streamings (ouça aqui), a banda liberou um clipe com clima de verão retro, feito com câmera VHS, confira: