Eu tenho um gato chamado Bentinho. Sim, é esse Bentinho que você está pensando. Bom, quando ele chegou aqui era Capitu, e o companheiro dele, Bentinho. Ficou confuso? Pois bem, peguei dois gatos na rua, batizei-os de Capitu e Bentinho, e nem me passou pela cabeça que ambos seriam machos. O Bentinho I, vou chamá-lo assim, veio a falecer, restando a Capitu, que logo se mostrou macho e herdou o nome do irmão. Essa é a minha história com gatos, e o meu Bentinho, que às vezes sofre nas mãos da minha cria, vive conosco até hoje, esbanjando indiferença, desprezo e muita preguiça. 

Gatos são muito sedutores. Acho difícil conseguir resistir ao charme deles. Não à toa, existe essa mística em torno deles e sua relação com escritores, e com a escrita. Muitos textos, sobre eles, já saíram dos mais consagrados autores: Lygia Fagundes Telles, Doris Lessing, Julio Cortázar, Pablo Neruda, Patricia Highsmith e muitos outros. Todos declarados gateiros. Eu sou gateira assumida, apesar de ser uma escritora não famosa.  

Juntando-se a esse time seleto de escritores-gateiros, temos o Thiago E, com o livro “Os gatos quando os dias passam”, lançado no final de 2021. Para quem ainda não conhece, o autor é poeta teresinense, que já integrou a banda Validuaté por 12 anos, e é um dos fundadores da Revista Acrobata.  

Thiago E . Foto: Instagram do autor

Depois do Cabeça de sol em cima do trem, que é disco e livro, Thiago E nos traz esse livro gostoso de ler, com haikais, em sua maioria. A propósito, Alice Ruiz fala muito bem da origem dele, do haikai, no seu livro “Outro silêncio”: “ele é fruto autêntico da Terra do Sol Nascente”. E é com esse outro modo de fazer poesia, o japonês, que Thiago E chega, mostrando seu cotidiano, ou recortes dele, com a presença ilustre dos gatos. 

Ele começa logo nos lembrando que bem lá nossa infância apresentamos algumas semelhanças com os felinos, quando engatinhamos; seus poemas conseguem captar a essência desse ser silencioso, ágil, e que nos instigam curiosidade. Podemos afirmar que os gatos dominam qualquer situação. Como bem disse Patricia Highsmith: “um gato é uma obra de arte ambulante”. 

Seus haikais funcionam como polaroids do cotidiano: 

“fim do temporal  

um gato bebe 

na cadeira emborcada” 

(página 26) 

Além das fotografias em palavras, temos ainda um poema que leva o nome de Ailton Krenak no título, algumas fotografias dos bichanos, e claro, poesia visual, marca de Thiago E.  

poema Jogo. foto: Instagram do autor

Recentemente, o poema visual, Jogo (pág. 31) foi musicado por Cid Campos, em parceria com o próprio autor, a faixa POVO PAÍS CAOS saiu dia 30 de junho nas plataformas de streaming. Thiago E fez o projeto gráfico da capa do single e participou da faixa oralizando o texto. Quem quiser conferir:

Os gatos quando os dias passam chegou para agradar ao público leitor e amante dos gatos, e para aqueles, apenas fãs das poesias do Thiago E, aposto que logo se converterão em fãs dos felinos também.  

Quem quiser adquirir o livro: https://7letras.com.br/livro/os-gatos-quando-os-dias-passam/