Cantor e compositor com 35 anos de carreira nas costas maltratadas, Paulinho Só lançou o single ‘O ovo da serpente’ no dia 12 de agosto, a fim de anunciar o lançamento de um novo trabalho solo, o EP ‘Na tormenta’. A canção realiza um comentário incisivo sobre os acontecimentos em curso e dedica atenção especial a um curioso personagem contemporâneo – o chamado “homem de bem”. 

Ao olhar para trás, provocado por uma pergunta batida, Paulinho Só mal vislumbra o menino apanhado em calças curtas, às voltas com os primeiros acordes, que respondia pelo mesmo diminutivo empregado sob a sua discografia, à guisa de assinatura. Sim, sempre gostou de música. Daí até as primeiras apresentações nos bares da vida, em Belém (PA), foi um pulo.

Neste particular, a trajetória do músico que fundaria a banda Uma Ruma não tem nada de extraordinário, igual a tantas outras. O barato do palco, no entanto, logo encontraria a onda boa da composição. Paulinho descobriu cedo a dor e a delícia de “lançar mundos no mundo”.

Antes disso, mais uma vez, ele fez como tantos outros. A primeira banda, Rock da Silva, foi formada em conluio e cumplicidade com os irmãos mais velhos. Depois, já em vias de se afirmar como um autor, Paulinho deu a cara a tapa no conservador circuito de festivais. À época. indisposto com a solenidade de um sobrenome artístico, ele resolveu facilitar o trabalho dos locutores. Como assim, só Paulinho? Isso mesmo, ele respondia, Paulinho Só.

Entre idas e vindas, paisagens diversas, sotaques diferentes, o gaúcho criado à beira da floresta amazônica sentou praça em Sergipe, onde gravou todos os discos lançados até agora. Aqui, para o bem ou para o mal, floresceu a melhor parte de seu trabalho artístico. A recompensa é pouca, a panela menor ainda. Mas Paulinho Só não reclama. Desde quando se meteu a emendar versos em acordes, fincou pé na tormenta.