Percebe-se uma certa miopia. oportuna e confortável, na hora de apreciar os esforços das bandas ditas “underground”, de qualquer cidade, nenhum privilégio da nossa “cidade verde”. Passado, aparentemente, o alvoroço da pandemia, pelo menos no tocante a aglomerações e protocolos, seria evidente que aqueles que trabalham com entretenimento, em suas mais diversas esferas, retomassem suas atividades, vez que os ditos “profissionais”, estes mais profissionais que os outros, tomaram a dianteira, pois “vivem disso”. Ora, todos vivem! Sem exceção. Uns mais, outros menos. Alguns podem abrir exceções, outros não, ou pelo menos quando assim lhes convém. Canibalismo mercadológico não pode ser mensurado por pilha de boletos. Não existe almoço grátis, e mais cedo ou mais tarde todos sentam pra comer.

Três das quatro bandas aqui presentes nesta resenha já existiam efetivamente antes de lockdown ser mais uma palavra corrente no vocabulário de anglicismos do cotidiano brasileiro. Essas bandas compunham, ensaiavam, gravavam, produziam merchandising e shows, e sem um pingo de exagero, geravam empregos indiretos, afinal se você anunciar um show em um determinado locais isso é o bastante para atrair comerciantes informais de bebida e comida, e se chovesse mais na nossa capital, até de vendedores de capinha de chuva. Uma questão de demandas,

Mas voltando para o tema em questão: não importa o segmento, a roda da fortuna, ou do prejuizo, gira. Into Morphin, Retalhador e Furit, em ordem cronológica, estão aí botando a cara no sol, ou no fogo do inferno, já há tempos. Tem o que se pode chamar de “espaço consolidado” na cena. Independente de idade ou gênero, atraem pagantes. Como querer que esses grupos represem essa demanda e voltem “mais devagar”?

Chegando agora, apesar de contar com músicos já experientes e com certo renome, nas pessoas de Félix Briano (baterista, também produtor, via Tamanduá Produções), Cauê Lima (baixo, ex Zorates) e Yan Silva (guitarrista maranhense de grande rotatividade em bandas teresinenses), a Evilmancer fez nessa noite seu quinto show com formação consolidada, primeiro após o lançamento do single “Atomic Bloom”, apostando numa vertente mais tradicional e melódica, vibrando entre a NWOBHM de um Angelwitch/Saxon e o hard rock de um Savatage ou Queensryche (lá do inicio da carreira, ainda sem babados e lantejoulas prog).

Obviamente nenhuma dessas bandas ficou parada durante a pandemia, da mesma forma que as que alegam que precisam tocar pra viver. Só não tocam mais porque a quantidade de casas de shows em Teresina infelizmente não é equilibrada de forma que abrace as produções locais de maneira equalitária. Utopia? Não, é questão de logística, de equipamento, e também de querer faturar mas não saber com que está lidando apesar de querer demonstrar o contrário (exceção honrosa ao Bueiro, logicamente).

Menos anglicismo e conhecer mais as bandas. A gente chega lá.